Quando Deus chama um indivíduo ou uma obra, ele o faz em virtude de um plano.
Nós extraímos do passado um ensino, uma orientação e um encorajamento. O que
Deus fez é o penhor do que ainda fará. Assim como o património de uma família ou
de uma nação deve ser conhecido e honrado, é vital que a herança de uma obra de
Deus também o seja. Nós nos apossamos das palavras do salmista: "Escutai, povo
meu, a minha lei; prestai ouvidos as palavras da minha boca. Abrirei os meus
olhos em parábolas, e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e
aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos;
contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor e o Seu poder e as
maravilhas que fez." Salmo 78:1-4.
A história da Acção Bíblica compreende três fases: a fase do nascimento, a fase do
fortalecimento e da fase de expansão.
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A génese da Acção Bíblica esteve na conversão de seu fundador, Hugh Edward
Alexander (1884-1957) em 1901 e no desabrochar da sua vocação. |
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A convite de pastores da Igreja Reformada, foram empreendidas campanhas de
evangelização em várias partes da França.
1913-1918. O ano de 1913 marcou o início das campanhas de evangelização na Suíça
francesa, onde manifestou-se o reavivamento produzindo as vocações daqueles que
constituíram a primeira geração da Acção Bíblica. Bem que H.E. Alexander não
tivesse a ambição de criar uma nova denominação, ele constatou que o terreno
espiritual de certas igrejas não era propício para o desenvolvimento bíblico dos
recém-convertidos e que não era possível entregar essas almas aos efeitos
nocivos da teologia liberal que nelas era adoptada. A partir de 1914, iniciou-se
a publicação da revista mensal "Le Temoin", revista da Aliança Bíblica que
imediatamente definiu-se como um órgão defensor da fé. Em 1916, a publicação da
brochura intitulada "Icabode" (I Samuel 4:1-22) separou os campos pela denuncia e
pela condenação enérgica da chamada nova teologia e que na verdade consistia na
negação dos factos que são a própria essência do cristianismo: inspiração,
inerrância e autoridade das Escrituras, divindade de Jesus Cristo, Verbo Eterno
feito carne, expiação pelo sangue da Cruz, ressurreição corporal, glorificação à
direita da Pai e volta em Glória.
Ao mesmo tempo H.E.Alexander abriu em Genebra, a primeira Casa da Bíblia, que
tinha o nome de: Depósito das Escrituras Sagradas e Escritório de publicações da
Aliança Bíblica.
A publicação de "Icacode" suscitou mais oposição religiosa. Os convertidos foram
reunidos e firmemente edificados na fé bíblica. Isso preparava o momento em que
a Aliança Bíblica iria se tornar Acção Bíblica.
1919-1924. H.E. Alexander tinha o desejo de abrir a primeira Escola Bíblica de
língua francesa e orou por este assunto durante 13 anos. A resposta veio em
1919, no Ried perto de Bienne, graças a uma propriedade posta à sua disposição
por uma família conhecida. Cinco turmas foram ensinadas ali e saíram colportores
e evangelistas. Muitos alunos se estabeleceram no estrangeiro na sua profissão
para testemunhar da sua fé.
Em 1924 a oposição religiosa, exacerbada, tentou, obtendo apoio das autoridades
civis, obter a expulsão de H. E. Alexander do território suíço. Mas quando a sua
inocência foi reconhecida a manobra fracassou. A arma forjada contra o embrião
da Obra não prosperou (Isaías 54:17). Esse momento doloroso ia contribuir para o
fortalecimento do que era nascido do Alto e que os homens não puderam destruir
(Actos 5:38-39).
Vimos quais foram os efeitos da tomada de posição teológica de H. E Alexander:
delimitação dos campos religiosos e reagrupamento daqueles que queriam se manter
fieis à Palavra de Deus. Sem este ponto definido de partida, a Acção Bíblica não
existiria. Durante todo seu ministério, o fundador manifestou uma teologia
inequívoca . Isso exprimiu-se claramente em relação ao racionalismo, ao
pentecostalismo, e mais tarde ao neomodernismo e ecumenismo. No plano interno, o
fundador quis saber com quem podia contar (Juízes 7:1-8). Com este intuito redigiu o
"Manual de Instrução para os membros da Acção Bíblica". Este livreto expunha a
natureza da Acção Bíblica, sua missão no mundo e no seio da Igreja de Jesus
Cristo, com os símbolos da trombeta da tocha e da espada. (Juízes 7:15-23). A
trombeta se referia ao testemunho, a tocha à difusão da Palavra de Deus e a
espada ao bom combate da fé.
Essas bases ficando bem claras, o autor redigia a declaração de fé (reproduzida
neste manual com mínimas alterações) e para concluir realçava os princípios da
consagração, da disciplina, da lealdade, da associação de coração e de fato.
Continuando esta tarefa de organização, H. E. Alexander designou um corpo de
presbíteros, iniciou a redacção dos boletins de informação missionária para
alimentar as reuniões de oração dos membros e abriu a Casa da Bíblia de Paris em
1925. Colportores bíblicos partiram para a França. Tudo isso era a confirmação
da Obra e propósito de que os laços adversos que tinham tentado sufocá-la
estavam rompidos.
Após os acontecimentos de 1924 que se desenvolveram em Bienne, (tentativa de
expulsar H. E. Alexander do território Suíço), o futuro da Escola Bíblica foi um
assunto de preocupação. No início de 1926, H. E. Alexander recebeu a convicção
que a nova Escola Bíblica, abriria em Cologny, perto de Genebra no lugar de sua
conversão. As coisas, então aconteceram rapidamente. Os presbíteros foram
informados da decisão de comprar um terreno em Cologny. O ato da compra foi
assinado em Fevereiro, e uma brochura solicitando fundos para a construção
suscitou um impulso maravilhoso de liberalidade. Precisava reunir 410.000
francos suíços. Menos de dois anos mais tarde a Escola estava terminada e
completamente paga pelas ofertas. A casa foi consagrada a Deus sob inspiração de
Isaías 54:2-3 e a propriedade da Escola Bíblica recebeu o nome de "Le Roc", em
1928 acolhia alunos da sexta turma.
Esta construção representava mais um ponto de partida do que um término. Outros
campos missionários foram atingidos, por exemplo: Itália, Jugoslávia, Espanha,
Portugal, Norte da África, Egipto, Líbano, Índia, Ásia Central. Outras casas da
Bíblia foram abertas.
Em 1930 nasceu a "Milícia da Acção Bíblica", hoje "Juventude da Acção Bíblica".
Começaram então, na França, os acampamentos para adolescentes onde se
converteram e se consagraram a Cristo centenas de rapazes e moças. Antes da 2ª
guerra mundial Deus deu lindas oportunidades de difusão da Bíblia: onze mil
exemplares vendidos na exposição Colonial, quatro mil e quinhentos na exposição
Internacional e catorze mil nos bulevares de Paris.
Assim de 1924 a 1940, Deus colocou a Obra em terreno firme, deu-lhe uma
estrutura e em seguida segurança para a expansão. Esta fase de fortalecimento
precedeu e garantiu o "alongamento das cordas e o alargamento do espaço da
tenda" (Isaías 54:2-3). Se as estacas não estivessem firmes, a "tenda" não poderia
ser alargada.
Durante esse período, igrejas locais nasceram e se desenvolveram principalmente
na Suíça, na França em Portugal onde o desenvolvimento foi característico.
A partir da primavera de 1940, a Suíça viu-se cercada pelas potências
beligerantes. H. E. Alexander teve a convicção de que devia empreender a impressão
e edição das Sagradas Escrituras para suprir as necessidades dos países de
língua francesa completamente privados da Palavra de Deus.
Ele criou a Sociedade Bíblica de Genebra que passou a controlar as Casas da
Bíblia. Esta obra tomou uma grande extensão e não parou de crescer. Em cinquenta
anos, dois milhões de Bíblias foram imprimidas. Além das Bíblias, Deus nos
confiou um ministério de publicação de obras de evangelização e edificação, sem
mencionar as revistas para crianças, adolescentes e adultos. Assim, a Acção
Bíblica assume responsabilidades em relação ao Corpo de Cristo na edição da
Palavra de Deus.
O ano de 1944 foi o da criação do corpo de Portadores de Armas. Dentro do
exemplo histórico de Jónatas, o fundador viu um símbolo da associação entre
jovens e adultos na batalha espiritual, os jovens necessitando de conselhos, de
formação e protecção, e os adultos dedicando seus cuidados à posteridade
espiritual e se beneficiando da contribuição de forças novas. Esta posteridade
foi chamada para trabalhar nos campos missionários abertos pelos pioneiros da
obra.
Aos campos já mencionados, se juntaram primeiro o Brasil, depois o oeste
africano.
Os acampamentos para crianças na propriedade da Escola Bíblica de Genebra foram
inaugurados em 1962 e os acampamentos para Portadores de Armas em 1964.
Os cursos bíblicos para adultos aumentaram em favor das pessoas de língua alemã
e desde 1975 também para as de língua italiana.
Sem entrar nos detalhes das várias etapas da nossa implantação africana como o
desabrochamento do trabalho perseverante de colportagem, damos a data de
1959-1960 como ponto de partida do ministério na Costa do Marfim e no Senegal.
Entre os anos de 1966 e 1984, a Acção Bíblica reduziu progressivamente o número
de seus colaboradores na África (Argélia, Marrocos e Senegal) mas desenvolveu
suas actividades em Abdjam.
No Brasil, a obra começou com um depósito das Sagradas Escrituras (1931).
Continuou com o aluguer de uma loja transformada em Casa da Bíblia (1938). Desde
1951 , a Casa da Bíblia está instalada no pleno centro de São Paulo e esse
ministério desta casa foi o ponto de partida do trabalho missionário e para a
abertura de outras Casas da Bíblia.
Assim, produziu-se uma reacção em cadeia, o fruto segundo a espécie apareceu e o
tríplice carácter da vocação da Obra foi manifestado em aproximadamente trinta
anos.
Após ter combatido o bom combate, ter completado a carreira e guardado a fé, o
fundador foi chamado por Deus no dia 8 de Abril de 1957. Desde então a Obra não
somente subsistiu, mas se espalhou.
Muitos ex-alunos da Escola Bíblica de Genebra estão trabalhando em suas
profissões e testemunhando do Senhor Jesus; alguns servem ao Senhor em tempo
integral em outras obras.
Durante meio século, a maioria dos servos e servas de Deus que desenvolveram o
trabalho da Acção Bíblica na Europa e nos outros continentes vinham das igrejas
da AB da Suíça e da França. Estes dois países foram também o sustentáculos
financeiro da obra.
Agora, o conjunto das igrejas de cada país esta chamado a tomar suas
responsabilidades mas no mesmo tempo mantém laços estreitos com a Directoria
Internacional.
Desde 1965 a Acção Bíblica na Suíça é constituída em Associação segundo o código
civil suíço. No decorrer do tempo, os diversos países tiveram a sua própria
estrutura jurídica nacional.
Nosso olhos estão voltados para o futuro, onde Deus quer nos conduzir em obras
maiores tanto em profundidade como em extensão contando que o Espírito de Vida
que está em Jesus Cristo nos anime e que nos mantenha fiéis para com Deus e
fiéis à vocação que Ele nos deu.
1884. Nascimento, na Escócia, de Hugh Edward Alexander, fundador da Acção
Bíblica.
1901. Conversão de H. E. Alexander.
1904-1906. H.E. Alexander passa dois anos no
Instituto Bíblico de Glasgow, na
Escócia (Bible Training Institute). O reavivamento do País de Gales se repercute
em Glasgow e atinge H. E. Alexander.
1906-1913. H.E. Alexander mora com uma tia em Cologny, perto de Genebra.
1907. Primeiras campanhas de evangelização na França: Haute-Loire, Gard, País de
Montbleliard.
1907-1911. Trabalho com crianças reunindo até 500 crianças no "Salão Central" de
Genebra.
1910. Começo dos cursos bíblicos na região do Lago Lemano.
1911. Primeira edição do hinário "Cânticos de Vitória"parcialmente traduzido das
composições de Moody e Sanker. Os hinos compostos por H. E. Alexander são
dinâmicos e populares.
1913. Começo de um reavivamento na Suíça francesa. Deus abençoa as campanhas de
evangelização de H.E. Alexander. Em La Chaux de Fonds, reunião de 3000 pessoas;
em Nêuchatel, evangelização durante várias semanas.
1914. Primeira edição da revista "Le Temoin" (A Testemunha), jornal da Aliança
Bíblica.
1916. Publicação da brochura intitulada "Icabode" (foi-se a Glória de Israel, cf
I Samuel 4:1-22) denunciando o liberalismo teológico.
1919. Abertura da Escola Bíblica de língua francesa, no Ried sob Bienne. O
primeiro ano acolhe 12 alunos, o segundo 24; em 1924 já havia 64 alunos. Cinco
cursos se sucedem no Ried. Numerosos alunos se estabelecem no estrangeiro, com
sua profissão, para ali testemunhar da sua fé.
1924. Detenção de H. E Alexander por algumas horas em decorrência de acusações
difamatórias, mas logo as autoridades e a imprensa o reabilitam.
1925. Abertura da Casa da Bíblia de Paris. (O comissário Peyron, do Exército da
Salvação, tem a ideia de chamar "Casa da Bíblia"o depósito de Bíblias). Antes da
segunda guerra mundial Deus dá muitas oportunidades de difundir a Bíblia:
• Venda de 11.000 Bíblias na Exposição Colonial de Paris (1931).
• Venda de 4.500 Bíblias na Exposição Internacional (1937) e mais de 14.000
Bíblias nas grandes avenidas de Paris.
• Começo de um trabalho missionário na região de Lisboa e no sul de Portugal.
1926. Decisão de construir uma escola bíblica em Cologny. Abertura da Casa da
Bíblia na cidade de Genebra.
1928. Abertura da Escola Bíblica de Genebra no "Le Roc", em Cologny, com 30
alunos para o sexto curso.
Vários obreiros são mandados em vários campos missionários: Itália, Jugoslávia,
Espanha, Portugal, Norte da África , Egipto, Líbano, Índia, Ásia Central.
Propagação das Santas Escrituras, pregação do Evangelho, estudos bíblicos e
reuniões de oração.
1930. Fundação da "Milícia da Acção Bíblica", hoje é a "Juventude da Acção
Bíblica", primeiro acampamento para adolescentes na França.
1932. Abertura de um depósito das Sagradas Escrituras no Brasil que se torna a
Casa da Bíblia em 1938.
1932-1933. Abertura das Casas da Bíblia de Zurique, Génova, Casablanca e Orã.
1936. Compra da casa "des Echenaz" em Les Contamines, nos Alpes de Haute Savoie
(França), para abrigar os acampamentos da juventude.
1940. Fundação da Sociedade Bíblica de Genebra. Começo da impressão e da edição
das Sagradas Escrituras.
1941-1945. Propagação de 200.000 Bíblias na França, ocupada pelos exércitos
nazistas. Impressão da Bíblia Schlachter (em alemão).
1943. Compra do Berghaus em Isenfluh (nos Alpes suíços), para acampamentos de
jovem e cursos bíblicos.
1944. Fundação dos Portadores de Armas (jovens de 18 a 25 anos)
1951. Mudança da livraria brasileira para o centro de São Paulo; ponto de
partida para a fundação de várias Casas da Bíblia e igrejas no Brasil.
1954. Impressão da Bíblia italiana.
1957. Partida para a pátria celestial de Hugh Edward Alexander, com 73 anos.
1959. Começo do trabalho na Costa do Marfim.
1960. Trabalho missionário no Senegal (África) ate 1984.
1974. Compra e renovação de uma casa em Pradella/Schuls (na Suíça alemã), para
acampamentos de jovens.
1960-1990. Desenvolvimento dos três ramos da Acção Bíblica:
• Escola Bíblica de Genebra (IBG).
• Sociedade Bíblica de Genebra
(SBG).
• Igrejas e trabalhos missionários. Estruturação das igrejas segundo o modelo
bíblico.
Actualmente a Acção Bíblica tem cerca de cinquenta igrejas, na:
Suíça - França - Itália - Portugal - Costa do Marfim - Bolívia - Brasil - S.
Tomé e Príncipe.
Existem também Casas da
Bíblia sobre 3 continentes:
Europa - África - América do Sul.
• Expansão do Evangelho.
• Criação de Igrejas locais "missões".
• Formação pastoral e missionária.
• Trabalho entre os jovens.
• Tradução, edição da bíblia e difusão em todas as línguas.
• Publicação de literatura e de jornais.
• Trabalho na área das novas tecnologias e internet.